Sigo pela A8 de carro. Na berma da estrada seguem 2 cães aparentemente sem destino. Vislumbro-os uns 400 ou 500 metros antes de passar por eles e não fico indiferente. Para onde seguem? Como foram parar ali aqueles cães? Estão certamente amedrontados pois aquela não é a sua "praia". E todos devemos ter direito à nossa praia!
Não esito e de imediato faço uma chamada para a "Auto Estrada do Atlântico" com o intuito de lhes dar conta da presença dos animais naquele local! Antes de passar pelos cães um deles atravessa-se à minha frente. Numa tentativa desesperada de não o atropelar faço uma manobra arriscada desviando-me a todo o custo e fui bem sucedido. Não seria capaz de evitar essa manobra. Não eu!
Olho para o espelho retrovisor e eis que o outro cão que tinha ficado na berma da estrada o segue. Eis que outro carro por ali passa e atropela-o violentamente. O meu ultimo olhar queda-se pelo cão que evitei atropelar. Como que a velar pelo seu companheiro de estrada e certamente a pensar que aquela também será a sua sorte ele senta-se junto dele no meio da auto estrada. Sigo o meu caminho. A sua imagem, o seu destino infelizmente representativo de muitos cães por este país fora faz-me companhia até chegar a casa.
Mato saudades do meu Fidel e presenteio-o com mimos. Penso que todos os cães deveriam ter a mesma sorte que ele tem.
N. Rama
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