quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Ser Mãe


Ser mãe é algo único diz quem sabe! Nas gatas, salvaguardando as devidas diferenças para com o ser humano, é também muito especial. Podem parir várias vezes ao longo da vida desde que não estejam castradas ou lhes seja dada a pílula.

A Chanica pariu pela última vez à cerca de quatro anos e foi mãe de 6 gatinhos (um dos quais o Poeta). De todos cuidou com extremo zelo revelando um instinto maternal a todos os títulos fantástico. O instinto animal é qualquer coisa fenomenal.

Creio ter sido a primeira vez que tinha reunidas as condições para poder cuidar dos seus filhotes podendo todos conseguirem sobreviver. A Chanica era então, ao fim de seis ou sete anos, uma gata verdadeiramente doméstica tendo passado da aldeia para a cidade e com isso passando a partilhar connosco uma habitação. Surpreendeu-nos com o seu cio e claro está, o resultado foi uma gravidez. Reunidas as condições para o parto, conforto e silêncio incluídos, certo fim de tarde a Chanica aguardou a chegada da sua dona e foi calmamente para a sua caixinha onde pariu três gatinhos e 3 gatinhas.
O Poeta, o mais acanhado, foi o eleito para ser futuramente o quarto elemento da família. Falamos de animais, gatos no caso, mas só quem deles gosta, quem deles trata, sabe quanto custa dar para adopção cinco gatinhos. Esperamos ter acertado nos adoptantes.

Passado algum tempo optámos por castrar a Chanica, essencialmente para o bem dela. Pode parecer contra senso, mas é o melhor que se pode fazer, pois uma gata doméstica com cios constantes não é própriamente muito tranquilo e a pílula é, à medida que os anos passam comummente tida como responsável por cancros de mama nas gatas.

Reagiu bem à castração e dentro de pouco tempo estava a cem por cento. Se já era muito meiguinha, ainda mais se tornou.

O pior estava para vir. Em Agosto de 2008 foi-lhe diagnosticado um tumor na mama esquerda, o que resultou no mês de Setembro do mesmo ano, numa operação e consequente extracção de toda a cadeia mamária esquerda. Complicada a cirurgia, moroso o pós-operatório mas felizmente acabou por correr tudo bem.
Já em Maio do corrente ano, foi-lhe detectado um novo gânglio ainda do lado esquerdo, decorrente da anterior cirurgia e também um pequeno tumor do lado direito. Já em Junho, foi operada, novamente um pós-operatório moroso, mas desta vez com a agravante de terem surgido algumas complicações, visto o local da cirurgia dificultar a recuperação. Mas felizmente, eis que a Chanica se ergue e está de novo em forma.

As decisões de operar ou não operar são sempre complicadas. Em última análise creio dever prevalecer a opinião do veterinário, isto caso estejamos na presença de um que tenha escrúpulos. Como em todas as profissões, há profissionais capazes e menos capazes, honestos e desonestos. Além do mais, é sempre complicado ver um animal sofrer com uma cirurgia. Quem já passou pela experiência de cuidar de um animal nestas circunstâncias sabe do que falo.

Creio ter sido acertada a nossa decisão pelas cirurgias a que ela foi submetida. Pelo menos o presente assim o diz. Hoje, dizemos que não a sujeitaremos futuramente a nova cirurgia caso sejamos com ela confrontada. Mas, o mais certo, é que com ela sejamos confrontados e provavelmente prevalecerá novamente a opinião médica. E como nela confiamos!...

Esta é resumidamente a história da Chanica, a gatinha que em cima podem ver.
N. Rama

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